Reinflexões: a apaixonada história de Carlos Bracher

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Mineiro nascido na cidade de Juiz de Fora, Carlos Bracher é o entrevistado da semana do programa Reinflexões. Acesse a entrevista conduzida pelo jornalista Ricardo Figueiredo nos links:

 

http://www.reinflexoes.com.br

https://www.youtube.com/watch?v=6oJvJ2gptSk

Bracher é o artista brasileiro que, em vida,  mais expôs no exterior, tendo realizado  exposições individuais em galerias e museus de Paris, Roma, Milão, Moscou, Japão, China, Londres, Rotterdam, Haia, Madri, Lisboa, Montevidéu, Santiago do Chile, Bogotá e Kingston.

Entre 2014 e 2015 ocupou os Centros Culturais Banco de Brasil (CCBBs) de Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília com a mostra “Bracher: Pintura & Permanência”, atraindo 480 mil expectadores. Durante a mostra realizou performances  pintando, ao vivo, os retratos de Lô Borges, Maestro Júlio Medaglia, João Cândido Portinari, Wladmir Carvalho e Dom Lélis Lara.

Em 2014, data dos 200 anos da morte de Aleijadinho, realizou  a série  “Bracher: Tributo a Aleijadinho” que faz releitura contemporânea sobre a obra do grande mestre do Barroco.

Atualmente uma retrospectiva com 50 quadros, produzidos entre 1961 a 2006, percorre diversas cidades européias já expostas no Museu de Arte Contemporânea de Moscou, Frankfurt, Praga, Estocolmo, Bruxelas, Bruges, Basilea, Dusseldorf, Luxemburgo e Gotemburgo.

Sua trajetória se inicia em  1967, com a obtenção da láurea máxima do Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro  –   o “Prêmio de Viagem ao Exterior”. Na ocasião, se muda para a Europa, onde vive por dois anos, principalmente em Paris, já na companhia de Fani Bracher.

Obteve o “Prêmio Hilton de Pintura”, em 1980, coordenado pela FUNARTE, como um dos dez artistas brasileiros que mais se destacaram na década de 1970, entre eles Siron Franco, João Câmara, Tomie Ohtake, Maria Leontina e Cláudio Tozzi.

Com o título de “Pintura Sempre” e sob a curadoria de Olívio Tavares de Araújo, em 1989 foi realizada uma retrospectiva de sua obra nos principais museus do país, como o MASP (São Paulo), Museu Nacional de Belas Artes (Rio), Palácio das Artes (Belo Horizonte) e Museu de Arte Contemporânea (Curitiba).

Na década de 1990 iniciou uma sequência de “Séries Temáticas”. A primeira lhe deu projeção internacional. Em 1990, Bracher percorreu os caminhos do também pintor expressionista Van Gogh realizando a série “Homenagem à Van Gogh”, com 100 telas pintadas no centenário de morte do artista, dando vazão a uma paixão de adolescência. A partir da série, o artista foi convidado a expor em importantes museus da Europa, América e Ásia.

Em 1992 lança seu olhar ao mundo industrial, pintando a série Do Ouro ao Aço, sobre a siderurgia em Minas Gerais.

Comemorando-se o centenário de morte de Van Gogh, em 1990 realizou uma série de 100 quadros, Intitulada “Homenagem a Van Gogh”, que foi exposta no Brasil, França, Holanda, Inglaterra, China, Japão e Colômbia.

Em 2007 pintou a “Série Brasília”, composta de 66 quadros de grande formato, que foi exposta no Museu Nacional de Brasília, a mais recente obra de Niemeyer na Capital.

Foram publicados cinco livros sobre seu trabalho: “Bracher” – Ed. Metron, São Paulo, 1989; “Bracher: Homenagem a Van Gogh” – Empresa das Artes, São Paulo, 1991; “Carlos Bracher: Do ouro ao aço” – Ed. Salamandra, Rio, 1992; “Carlos Bracher”, de João Adolfo Hansen – Ed. da Universidade de São Paulo (EDUSP), 1998; “Bracher/Brasília”, Rona Editora, Belo Horizonte, 2007.

Foram realizados dezenas de documentários e filmes  sobre sua vida e obra, entre eles: “Retrato Intenso”, direção de Olívio Tavares de Araújo; “Âncoras aos Céus” e o mais recente “Ouro Preto –Olhar Poético”, ambos dirigidos pela jornalista  Blima Bracher.

CRÍTICAS NACIONAIS

“Encontrei-me com Minas Gerais através da pintura de Carlos Bracher. É o maior elogio que, de coração, lhe posso fazer. Viva Minas.”

Carlos Drummond de Andrade

 

“A Bahia vai finalmente conhecer e amar a obra de um dos grandes da pintura brasileira contemporânea. Mineiro de Juiz de Fora (em sua pintura, o poeta Carlos Drummond reencontra Minas), paisagista incomparável, retratista de força indômita (“A tua mão, pintor, e a fúria tua pincelando meu rosto” – canta Affonso Romano de Sant’Anna num poema sobre a pintura de Carlos), autor de naturezas-mortas onde violinos, as flores e os jarros se harmonizam na cor de Ouro Preto, ouro e sangue misturados. Que dizer desse mestre brasileiro? (…)”

Jorge Amado

 

“(…) Inquieto por temperamento, Bracher não usa de cautela e cuidados para realizar seus quadros. Joga-se neles, seguro de seu domínio técnico, num mergulho definitivo, de que pode ou não resultar a obra satisfatória. Se não resulta, apaga tudo e começa de novo, com o mesmo ímpeto, movido pela necessidade de colher a beleza no mesmo momento em que ela, fustigada, emerge à luz (…)”

Ferreira Gullar. Livro “Bracher”, 1989

 

CRÍTICAS INTERNACIONAIS

“Carlos Bracher, pintor brasileiro de 30 anos, bem conhecido em seu País, vivendo em Paris há pouco tempo, encontrou na arquitetura dos grandes telhados inclinados de “Honfleur”, e na catedral de “Chartres” uma fonte fecunda de inspiração. Seu estilo severo e despojado nada sacrifica à moda; formas simples e rudes ao mesmo tempo esguias e pesadas, um cromatismo sombrio limitado ao azul e ao verde se aplicam à árvore e à pedra que uma luminosidade lunar vem sublinhar”.

Geneviève Breret. “Le Monde”. Paris, 1970

 

“(…) Vindo diretamente de um país do sol é este artista seduzido pela luz tamisada e doce da lle-de-France, pela poesia rigorosa de suas catedrais. Deste amor intenso, brotou uma série de quadros dominados pelos azuis dos vitrais, o cinza, o preto, o branco da pedra. Sua obra, ao mesmo tempo discreta e forte reflete uma realidade conduzida às suas dimensões essenciais, se exprime em grandes ‘aplats’ vigorosos, quase severos, procura uma verdade despojada dos adornos do estilo flamboyant. Carlos Bracher é um pintor austero, cheio de intransigências diante dos efeitos fáceis, dizia Cristiano Lima, jornalista português. É defini-lo muito bem. Sua austeridade seduz pela transposição sobre a tela das grandes obras da arquitetura francesa, sabendo ao mesmo tempo respeitar as dimensões humanas”

Francine Poirier. “Le Figaro”, Paris, 1970

 

“(…) Através de suas telas sobre a Catedral de Chartres ou os telhados de Paris, adivinha-se o gosto pela pureza das linhas que sobem para o céu e que dão ao conjunto um rigor grave, que descambaria para a rigidez se ele não utilizasse toda uma gama de azuis e verdes (caros a Cézanne) que modulam o todo.”

Monique Dittière. “L’Aurore”, Paris, 1970

 

 

 

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