Museu da Cachaça, em Salinas, conta o passado e o presente da aguardente

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Maior produtor brasileiro de cachaça artesanal, Minas Gerais é referência quando o assunto é a aguardente. A produção alcança aproximadamente 230 milhões de litros por ano, segundo dados do Centro Brasileiro de Referência da Cachaça (CBRC). Muito além de apenas uma bebida, a cachaça representa toda uma cultura, é repleta de tradição e se confunde com a formação social do estado. A dimensão da importância, do tamanho e da diversidade do destilado podem ser conhecidos de perto no Museu da Cachaça, localizado na cidade de Salinas, no território Norte. Inaugurado em dezembro 2012, o museu passou por uma série de reformas de janeiro a julho de 2017 para a readequação de toda sua estrutura, que incluiu melhoria nos espaços das salas, da parte hidráulica e dos acervos multimídias. As melhorias contaram com apoio da Secretaria de Estado de Cultura.

O museu é composto por nove salas, que retratam desde a importância da bebida para a economia e formação cultural das regiões de Minas Gerais até os mais variados rótulos e sabores da cachaça artesanal. Interativo, o Museu da Cachaça conta com um acervo diversificado. A Sala das Garrafas, por exemplo, possui nove metros de altura e mais de 2.200 garrafas, totalizando 54 diferentes rótulos. O espaço, que é todo revestido por garrafas, é uma das atrações do museu, que de julho de 2017 a maio deste ano recebeu 5.076 visitantes. “Nós queremos ampliar cada vez mais o número de visitantes. Para isso, trabalhamos em diversas frentes. Uma delas é fazer com que as pessoas se sintam cada vez mais acolhidas nos quase 13 mil metros quadrados do museu. Temos até uma brinquedoteca para a criançada”, explica a diretora do Museu da Cachaça, Cecilia Sarmento Pereira.

Preservar, incentivar e difundir saberes e fazeres vinculadas à produção da cachaça são alguns dos objetivos do museu. Para Cecilia, um dos desafios do local é promover a preservação do patrimônio da cadeia produtiva da bebida e demonstrar a importância socioeconômica para a cidade de Salinas e região. “Nós queremos ampliar o acesso ao conhecimento da produção da cachaça como bem patrimonial da cidade. Isso significa incentivar o turismo em sua modalidade empresarial e cultural”, pontua Cecilia.

Espaços

Sala dos Aromas atrai o público pelo olfato. Por meio de duas calhas, que fazem circular a cachaça, a bebida exala seu aroma e convida os visitantes a conhecerem o ambiente. O espaço conta ainda com um alambique de cobre de 1950, doado pela Fazenda Havana, e um parol, caixa de madeira do século XIX usada para o envelhecimento da cachaça. O museu também abriga a Sala Carro de Boi ou Debret –  pintor francês, que, em 1816, integrou a Missão Artística Francesa ao Brasil, organizada pelo rei Dom João VI. Jean-Baptiste Debret (1768 – 1848) retratou em pinturas o Brasil Imperial e foi o responsável pelo esboço do desenho da bandeira brasileira daquele período. A sala possui, entre outros itens, uma reprodução da obra “Paisagem com plantação (O Engenho)”, do artista holandês Frans Post (1612-1680). O espaço também exibe um carretão, uma espécie de carro de boi utilizado nos canaviais de engenho, e congrega reproduções de obras de Debret, em que o artista retrata o trabalho dos escravos.

Outro espaço bastante visitado do museu é a Sala dos Engenhos. O espaço possui um engenho do século XIX, confeccionado inteiramente em madeira, e o primeiro engenho da fazenda Havana, construído com madeira e ferro em 1950. Os visitantes também encontram no local a reprodução da obra “Moulin à Sucre”, do pintor alemão Johann Moritz Rugendas (1802-1858). A Sala dos Depoimentos também faz sucesso entre o público do museu. O local exibe, por meio de quatro aparelhos de televisão, histórias de produtores, gente comum e comerciantes sobre as lendas que envolvem a produção da cachaça e os aspectos sociais e comerciais atrelados à bebida.

Sala da Projeção, considerada a mais moderna do museu, apresenta os meios de circulação da cachaça, o processo de plantio, feitura e armazenamento da bebida. O espaço permite aos visitantes conhecerem através de vídeos um pouco mais dos diferentes processos que englobam toda a complexa cadeia produtiva da cachaça.  Outra atração do museu é a Sala de Terra Batida, que possui uma passarela de vidro sobre a terra seca e permite ao visitante entrar em contato com todos os aspectos do consumo da bebida. O espaço ainda conta uma vitrine horizontal de vidro com vista para o jardim interno do museu, onde pode ser vista uma plantação de cana-de-açúcar.

O Museu

Projetado pela arquiteta Jô Vasconcelos, o Museu da Cachaça está instalado em um terreno de 13.120m², sendo 2.200m² de área construída, 1.250m² de área expositiva, 2.500m² de espaço de convivência e 950m² de espaços administrativos.

Os ambientes foram criados com base em dois conceitos. O primeiro é o socioeconômico, no qual a cachaça artesanal está retratada em aspectos de produção, circulação e consumo, gerando uma visão antropológica do produto. O segundo é sociocultural, em que a bebida é fruto do imaginário coletivo, unindo grupos sociais por meio de seu uso.

A proposta museológica está distribuída entre as nove salas – Hall de Entrada, Sala dos Canaviais, Sala das Garrafas, Sala do Engenho, Sala do Moinho, Sala do Aroma, Sala Multiuso, Sala de Terra Batida, Sala de Depoimentos.

O Museu da Cachaça ainda oferece aos visitantes biblioteca, brinquedoteca, restaurante, área de ação educativa, de degustação de cachaça e espaço para eventos.

MUSEU DA CACHAÇA

Local: Avenida Antônio Carlos, 1250 – Casa Blanca, Salinas/MG

Horários de visitação:

  • Quartas, quintas e sextas-feiras: 14h às 20h
  • Sábado: 12h às 18h
  • Domingo: 7h às 13h

Contato: (38) 3841-4800

 

Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais

Assessoria de Comunicação

Fotos Wellington Pedro

Museu da Cachaça em Salinas
Crédito: Wellington Pedro/Imprensa MG

Museu da Cachaça em Salinas
Crédito: Wellington Pedro/Imprensa MG

Museu da Cachaça em Salinas
Crédito: Wellington Pedro/Imprensa MG

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