Bordadeiras de Barra Longa são destaque na coleção de Ronaldo Fraga no SPFW

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O movimento ágil dos dedos que tece as tramas das bordadeiras de Barra Longa (MG) enreda uma história que entrelaça a busca pela identidade, barreiras, resiliência e superação. A tradição de técnicas únicas que passaram por gerações resistiu, em 2015, ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. Em 2017, com a formação de um coletivo de mulheres, ganhou novo fôlego. As memórias e o bordado bem feito inspiraram o diálogo entre o saber e a moda sob o olhar de Ronaldo Fraga. O estilista desenvolve a coleção para a 45ª edição do São Paulo Fashion Week, marcada para 22 e 26 deste mês. “A ideia veio de um desejo antigo de aprofundar neste universo. A técnica vai muito além do mercado. Está no cerne da criação o resgate da originalidade do bordado bem feito, a paixão pela vivência de anos, a pesquisa de memórias seculares”.

 Considerado o maior evento de moda do Brasil e o mais importante da América Latina, o SPFW promove visibilidade para o mundo inteiro, além de ser uma importante ferramenta de propulsão dos negócios, desenvolvimento e profissionalização de todos os segmentos do mercado da moda. A projeção no mercado nacional gera boas expectativas nas artesãs. A bordadeira Maria de Castro, que já pratica a técnica há mais de dez anos, acredita que existe uma grande chance de levar a tradição e a vivência para o mercado regional e nacional. “Toda a equipe do Ronaldo nos auxilia a aprimorar o que temos de melhor. É maravilhoso mostrar o que fazemos para um dos maiores eventos de moda do mundo”, conta. Após os desfiles em São Paulo, os bordados serão comercializados no grande Hotel Ronaldo Fraga, em Belo Horizonte.

O coletivo é constituído por 32 mulheres de 17 a 80 anos que trabalham com peças únicas bordadas em técnicas denominadas ‘richelieu’ e ‘livre’, com formas, cores e estampas diferentes. A iniciativa foi desenvolvida pela Associação de Cultura Gerais (ACG), conhecida por elaborar projetos de transformação social em várias partes do país, e tem o estímulo da Fundação Renova. “A proposta deste coletivo é ressaltar a particularidade de cada produção. E com a aplicação da metodologia de mercado desenvolvida pela associação, elas podem ter perspectivas diferentes, com novas visões para negócios”, afirma Miriam Rocha, da ACG.

Como forma de incentivar a economia local e manter as tradições do município de Barra Longa, a Fundação Renova se juntou à ACG nas ações de transformação social em Barra Longa. Para o especialista em Programas Socioeconômicos da Fundação Renova, Francisco Lima, viabilizar o acesso das bordadeiras ao setor econômico é garantir a geração de renda bem fundamentada na tradição. “Com a realização desta ação, a Fundação Renova pretende inserir as produções atuais no mercado, incentivar ainda mais todo o processo criativo e evolutivo do bordado em Barra Longa, que já é histórico. Elas vão poder participar de processos importantes de gestão empresarial e técnicas de planejamento”, afirma.

Incentivo à economia local da Fundação Renova

A Fundação Renova tem o desafio de recuperar, em curto prazo, a economia dos municípios impactados pelo rompimento da barragem de Fundão. Para isso, atua em três frentes para estimular a atividade econômica da região: desenvolver mecanismos de estímulo ao desenvolvimento das cadeias produtivas locais, restituir a capacidade produtiva aos micro e pequenos negócios e promover a diversificação econômica dos municípios dependentes da mineração.

Entram no escopo das ações o fomento à contratação local de mão de obra e produtos e serviços, fundos de empréstimo para desenvolvimento dos negócios locais e programas de capacitação. A potencialização de fornecedores e a capacitação de mão de obra local são feitas em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Sobre a Fundação Renova

A Fundação é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, constituída com o exclusivo propósito de gerir e executar, com autonomia técnica, administrativa e financeira, os programas e ações de reparação e compensação socioeconômica e socioambiental para recuperar, remediar e reparar os impactos gerados a partir do rompimento da Barragem de Fundão, com transparência, legitimidade e senso de urgência.

A Fundação foi estabelecida por meio de um Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC), assinado entre Samarco, suas acionistas Vale e BHP, os governos federal e dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, além de uma série de autarquias, fundações e institutos (como Ibama, Instituto Chico Mendes, Agência Nacional de Águas, Instituto Estadual de Florestas, Funai, Secretarias de Meio Ambiente, dentre outros), em março de 2016.

Créd.: Ana Colla

 

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