Pesquisas espirituais da sueca Hilma af Klint estão em biografia escrita por Luciana Pinheiro Ventre

Agenda Cultural, Em Belo Horizonte ,

No ano de 1944, guardados em um sótão nos arredores de Estocolmo (Suécia), encontravam-se catalogados 124 diários, mais de 1.200 pinturas e cerca de 26 mil páginas manuscritas e datilografadas. Tratava-se da obra até então desconhecida da pintora sueca Hilma af Klint, cuja vida está relatada pela primeira vez em Português no livro As Cores da Alma – A Vida de Hilma af Klint. Escrito pela terapeuta biográfica e artista plástica Luciana Pinheiro Ventre, o livro será lançado dia 13 de junho, no Café do Centro Cultural do Minas Tênis Clube, às 19h. A autora fará uma palestra sobre Hilma, sua obra e significado.

“O livro traz uma riqueza de informações como a tradução do testamento de Hilma e trechos de seu diário. Imagens delicadas e inéditas dela quando criança. O  lançamento de As Cores da Alma – A Vida de Hilma af Klint vem no contexto da primeira exposição sobre ela no Brasil, na Pinacoteca (SP), até julho deste ano. É uma oportunidade, setenta e cinco anos após sua morte, para o público brasileiro conhecer Hilma, cujo legado entrou tardiamente na história da arte” enfatiza Luciana.

Foram dez anos de pesquisa para Luciana Ventre concluir As Cores da Alma – A Vida de Hilma af Klint. E muitos desafios. “Quase 98% do material que ela deixou, inclusive seus diários escritos à mão, estava em sueco. Levei quatro anos trabalhando com tradutores na Europa que verteram os conteúdos para o Português. Para contextualizá-los sobre o universo que traduziam, tive que ensinar um pouco de Antroposofia e fundamentos de correntes esotéricas”, explica Luciana, uma vez que Hilma foi uma iniciada nas ciências espirituais.

Em 2016 Luciana Pinheiro Ventre foi à Suécia complementar suas pesquisas na Fundação Hilma af Klint, que guarda todo o acervo da artista, entre telas, diários e seu testamento. Entrevistou o curador e editor de arte da Fundação, Ulf Wagner. Também conheceu de perto os ambientes onde a artista viveu em Estocolmo e arredores, visitou sua exposição no museu Henie Onstad Kunstsenter, em Oslo.

 

Teve acesso aos diários de Hilma – que jamais versavam sobre si, mas acerca dos processos criativos das suas telas. Também à cartas inéditas para o público: a correspondência que a pintora manteve, a partir de 1908, com o filósofo, artista e esoterista Rudolf Steiner, fundador da Antroposofia e da Pedagogia Waldorf.   Todo este conteúdo está no livro e apontam inclusive na direção de desmentir o fato de que Steiner teria rejeitado o trabalho de Hilma. “Ele deu a ela autonomia para buscar os próprios caminhos, mas sem dizer como fazê-lo, por acreditá-la capaz”, avalia a escritora.

A partir da revelação do acervo desconhecido por vontade da própria artista – que julgava que suas obras não seriam compreendidas por pintar mundos invisíveis que vinham à tona a partir da atuação de seres superiores – Hilma passa a ser considerada precursora do Abstracionismo. O que pode significar uma mudança nos marcos da História da Arte, já que suas telas antecedem trabalhos não figurativos do pintor russo Wassily Kandinsky.

“Apesar de sua formação na Academia Real de Belas Artes, Hilma af Kint não integrava movimentos artísticos. Seu foco era a pesquisa espiritual. Via-se como uma transmissora de mensagens com uma missão. Fez escolhas como a castidade e a humildade para manter-se focada”, explica Luciana. Ela ressalta que apesar da relação com o universo mediúnico, Hilma estava longe de ser uma pessoa descolada da vida prática. “Ela sustentou-se como pintora de retratos e paisagens, cuidava da casa, da mãe doente e à noite dedicava-se à obra que seria seu legado. Aos 80 anos escreveu o próprio testamento”, conta Luciana.

Em As Cores da Alma vem à tona a personalidade de Hilma sem reduzir a força de sua arte a uma ou outra esfera. O leitor poderá tomar conhecimento de sua infância, da sua aproximação com movimentos espiritualistas na virada do século, o contexto de viver em uma sociedade que atravessou duas guerras mundiais, revoluções na arte e na ciência.

Sobre Luciana Pinheiro Ventre (foto de divulgação)

Luciana Pinheiro Ventre é artista plástica, terapeuta biográfica e arte educadora. Aprofundou-se na biografia do escritor alemão Goethe e na sua Teoria das Cores. Estuda e trabalha com pintura meditativa e terapeuta em processos de desenvolvimento pessoal há mais de 25 anos. É docente em formações nas áreas da pedagogia, saúde e educação. Após dez anos de pesquisa, publica o primeiro livro em língua portuguesa sobre a vida e a obra de Hilma af Klint.

 

Lançamento de As Cores da Alma – A Vida de Hilma af Klint ( foto de Hilma em destaque, divulgação)

Data: 13 de junho

Horário: 19h

Local: Centro Cultural Minas Tênis Clube – Rua da Bahia, 2244, 5 andar, Lourdes

Fone: (31) 3516-1027

Valor do livro: R$ 98,00

Loja virtual: www.ascoresdaalma.iluria.com

Entrada franca

Outros eventos com Luciana Pinheiro Ventre

*Palestra Arte, Ciência e Espiritualidade – A trindade na vida e obra de Hilma af Klint

Data: 15 de junho

Horário: 19h30

Local: Casa Ita Wegman – Rua Montes Claros, 1429, Anchieta

Fone: (31) 3317-1207 / 3227-7965

Valor mínimo: R$ 20,00

Preço sugerido: R$ 50,00

*Vivência guiada por Luciana: Reconhecendo as cores da alma – Onde o masculino encontra o feminino

Data: 16 de junho

Horário: 9h30 às 12h30

Local: Ema – Rua Mangabeiras, 275, Santo Antônio

Fone: (31) 98496-5441

Inscrições: R$ 120,00

Assessoria de imprensa:

Raquel Ayres: (31) 99877-2606 / (31) 3643-2606

raquelpimentelayres@gmail.com

 

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